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segunda-feira, 3 de março de 2014

'PÁTRIA MADRASTA VIL'

Merecidamente, Clarice Zeitel Vianna Silva, estudante de DIREITO da Universidade Federal do Rio de Janeiro- UFRJ  
é a vencedora do concurso 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'!
Ela diz, em suas palavras o que está 'entalado' na garganta de milhares de brasileiros, gente que trabalha e luta por um país melhor para seus filhos, de jovens que sonham com um futuro!            Beatriz Antonieta Lopes





'PÁTRIA MADRASTA VIL'
* Clarice Zeitel Vianna Silva


Onde já se viu tanto excesso de falta?
Abundância de inexistência...
Exagero de escassez...
Contraditórios?
Então aí está!
O novo nome do nosso país!
Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe.
Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil, está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira.'
Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir.
Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa.
A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade.
Uma segue a outra...
Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição.
Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar.
E a educação libertadora entra aí.
O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito.
Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura.
As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)...
Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra?
De que serve uma mãe que não afaga?
E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo.
Cada um por todos.
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas.
Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil?
Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil?
Ser tratado como cidadão ou excluído?
Como gente... Ou como bicho?

* Clarice Zeitel Vianna Silva


Premiada pela UNESCO, * Clarice Zeitel Vianna Silva, 26, estudante que termina Faculdade de Direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários. Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade.' A redação de Clarice intitulada 'Pátria Madrasta Vil', foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da UNESCO.

domingo, 15 de maio de 2011

O Brasil vem afundando há oito anos num oceano de estupidez...

Do blog de Augusto Nunes

"Os livro mais interessante estão emprestado"
A menção a leituras informa que a frase reproduzida no título do post

não foi pinçada de alguma discurseira de Lula. Mas os autores do livro

didático “Por uma vida melhor” decerto se inspiraram na oratória

indigente do Exterminador do Plural para a escolha de exemplos que

ajudem a ensinar aos alunos do curso fundamental que o s no fim das

palavras é tão dispensável quanto um apêndice supurado.

Escrever errado está certo e é correto falar errado, sustenta a obra

aprovada pelo MEC.

A lição que convida ao extermínio da sinuosa consoante é um dos muitos

momentos cafajestes dessa abjeção impressa que louva “a norma popular

da língua portuguesa”. Não é preciso aplicar a norma culta a

concordâncias, aprendem os estudantes, porque “o fato de haver a

palavra os (plural) já indica que se trata de mais de um livro”.

Assim, continuam os exemplos, merece 10 em redação quem escrever “Nós

pega o peixe”.

E só podem espantar-se com um medonho “Os menino pega o peixe” os

elitistas incorrigíveis. “Muita gente diz o que se deve e o que não se

deve falar e escrever tomando as regras estabelecidas para norma culta

como padrão de correção de todas as formas linguísticas”, lamenta um

trecho da obra. Por isso, o estudante que fala errado com bastante

fluência “corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico”.

A isso foram reduzidos pelo país de Lula e Dilma os professores que

efetivamente educam: não passam de “preconceituosos linguísticos”.

“Não queremos ensinar errado, mas deixar claro que cada linguagem é

adequada para uma situação”, alega Heloísa Ramos, uma das autoras da

afronta. Em nota oficial, o MEC assumiu sem rubores a condição de

cúmplice. “O papel da escola”, avisam os acólitos de Fernando Haddad,

” não é só o de ensinar a forma culta da língua, mas também o de

combater o preconceito contra os alunos que falam linguagem popular”.

A professora Heloísa sentiu-se ofendida com a perplexidade provocada

pelo assassinato a sangue frio da gramática, da ortografia e da

lucidez. “Não há irresponsabilidade de nossa parte”, garantiu.

Há muito mais que isso. O que houve foi um crime hediondo contra a

educação, consumado com requintes de cinismo e arrogância. O Brasil

vem afundando há oito anos num oceano de estupidez. Mas é a primeira

vez que o governo se atreve a usar uma obra supostamente didática para

difundi-la.

Poucas manifestações de elitismo são tão perversas quanto conceder aos

brasileiros desvalidos o direito de nada aprender até a morte. As

lições de idiotia chanceladas pelo MEC prorrogaram o prazo de validade

do título: a celebração da ignorância é um insulto aos pobres que

estudam.

A Era da Mediocridade já foi longe demais.